Danças e Cantares

 

A Dança e o Canto sempre estiveram presentes na vida das gentes de Perre, como forma de expressar uma necessidade física, um desejo que se eleva da alma, uma manifestação de alegria, quer na labuta do campo, quer nas romarias ou a caminho delas.

De uma forma geral os cantares aludem ao trabalho agrícola, aos santos patronos, ou ao amor. As danças por seu lado acompanham o ritmo imposto pelos instrumentos. Ritmo esse que nesta região do Minho divide dois tipos de danças: o Vira – de compasso ternário – e a Chula – de compasso quaternário.

Em ambas os dançarinos descrevem formas graciosas, tocando o solo com os tacões dos socos e chinelas, ao ritmo das melodias que ecoam dos acordeões e das cordas dos instrumentos. De braços bem erguidos, rodopiando a cada passo, homens e mulheres saltitam vivamente demonstrando as danças de antigamente.

As cantigas e danças recolhidas eram bailadas aquando da trabalho do campo em situações como as desfolhadas e malhadas do milho, as espadeladas, fiadas e dobadas do linho, a malhada do trigo na eira, ou na sachada do milho. Mas aos Domingos e dias santos, pela tarde, juntavam-se os jovens nos terreiros dos vários lugares da aldeia, ou até mesmo nos adros das capelas e ali cantavam e dançavam. No Inverno ou à noite era mais usual vê-los nos salões das casas de lavradores, onde não faltava o “néctar” para matar a sede.

   
       
      
 

 

Vira Serrano
Tal como o próprio nome indica, e pelo seu ritmo marcadamente lento, era um tema interpretado nos trabalhos do monte. Neste Grupo este tema é utilizado como forma de entrada em palco, onde a cada quadra cantada, são apresentados os diferentes quadros de trajes.



Vira de Perre
Dança em fila, composta por seis marcações, com homens e mulheres dispostos de forma alternada.

“Sou de Perre, sou de Perre
Sou de Perre no cantar
Sou da mesma freguesia
Moro no mesmo lugar”

 

Desfolhadas
Tema característico nas noites das desfolhas onde se interpretavam temas como este.

“As desfolhadas em Perre
São cheias de vida e cor
Até à luz da candeia
Se fazem versus de amor”

Laranja ao Ar
Dança de roda, de ritmo quaternário, muito usual nos adros das capelas. Os gestos dos dançarinos representam o que as cantadeiras interpretam.

“Laranja ao ar
Caiu caiu
Num regato d'água
Ninguém mais a viu”

Laurinha



Perre também ficou conhecida pelas serenatas que os rapazes dedicavam às raparigas solteiras. Uma dessas raparigas – de seu nome Laurinha – viu seu amor falecer. Para a alegrar rapazes dedicaram-lhe músicas como esta. É uma dança de roda, onde o refrão é marcado pela troca de pares.

“Laurinha estava chorando
Pelo Chiquinho que já morreu
Não chores mais ó Laurinha
Pelo Chiquinho, aqui estou eu”

 

Chula Nova
Esta melodia, de ritmo bem alegre, é uma das chulas dançadas antigamente nesta freguesia. Começando com os pares dispostos em fila, passa para uma forma circular e termina de novo em fila. A letra rezava assim:

 

Margarida Moleira
Perre também é terra atravessada por ribeiros, na margem dos quais existem moinhos movidos a água (azenhas). Esta cantiga alude ao trabalho desenvolvido num desses moinhos por uma rapariga chamada Margarida.

“Ó Margarida moleira
Dá-me da tua farinha
Ai, ai, ai, que a quero peneirar
Ai, ai, ai, com a nova peneirinha”

Olha A Barca

Cantada pelos rapões de Perre quando iam para a praia rapar os restos do pescado trazido nos barcos, este tema fala do mar e do amor. Apesar de ser uma melodia apenas cantada, o friso de mulheres e de homens executa movimentos de balanceio contrários que nos transporta para o embalo das ondas.

“Olha a Barca, olha a Barca
Deixa pobre navegar
Que as estrelas cintilantes
Também navegam no mar”

 

Ó Ramo Ó Lindo Ramo
Mais uma das cantigas tradicionais no Alto Minho, cantada em diversas ocasiões, como nas sachadas do milho, ou a caminho da romaria, usando para isso quadras soltas.

“Ó ramo ó lindo ramo
Ó ramo da oliveira
Tu és o mais lindo ramo
Ora que anda na brincadeira”

 

Enleio
Uma dança de fila baseada numa melodia das serenatas alusivas ao amor.

“Ai enleio que me enleaste
Ai no mais alto arcipreste
Ai eu quis-me enlear contigo
Ai enleio tu não quiseste”

 

Senhor Da Serra

A caminho de uma das romarias mais tradicionais do Alto Minho – na Serra d'Arga – onde se passam sete serras para lá chegar, nos intervalos em que os mais velhos descansavam, os romeiros mais novos dançavam danças como esta.

“Ai ó meu Senhor
Eu da serra sou
Eu cantar não sei
Eu bailar não vou”

 

Rosinha
Dança comum a quase todos os grupos, onde se aborda o tema do amor a uma rapariga – Rosinha.
É apresentada em fila.

“Ó minha Rosinha eu hei-de te amar
De dia ao sol de noite ao luar
De noite ao luar de noite ao luar
Ó minha Rosinha eu hei-de te amar”

 

Viva O Nosso Grupo
Um tema, em ritmo de marcha, que antigamente era dançado por um grupo de jovens que se reuniam aos Domingos à tarde nos terreiros da aldeia. Hoje ela é apresentada por este grupo também com o objectivo de convidar a assistência a participar.

“Viva o nosso grupo
Com nossas cantigas
Cantai ó rapazes
Dançai Raparigas”

 

Laurindinha
Cantiga muito conhecida no Minho e que também era interpretada pelas gentes de Perre nos mais diversos trabalhos.

“Eu contigo ia ia
Se não fosse a recear
Eu sei a vida que tenho
Não sei a que m'irão dar”

Olha O Gaio
A caminho das romarias também se cantava o “Olha o Gaio”, alusiva a uma ave que representa a beleza.

“Ó Palmirinha olha o gaio e olha o gaio
Se ele é bonito agarrai-o, agarrai-o
Ó Palmirinha olha o gaio e olha o gaio
E se ele é feio agarrai-o e largai-o”

 

Vira do Zé

Um dos antigos tocadores desta aldeia era conhecido por Zé. Foi ele que criou esta melodia na sua concertina, e à qual os jovens adaptaram alguns passos de dança.

“Ó Perre tu és
Tão lindo afinal
Ó Perre tu és
Terra sem igual”

  Chula Batida
Uma outra chula, onde o ritmo vai acelerando, considerada por alguns como uma dança “diabólica”.

 

Vira Do Manel

Um outro músico de Perre – de seu nome Manuel – escreveu esta melodia, que é dançada em fila.

 

Contra-Dança

Esta que é a “Prata da Casa” deste grupo, é a dança mais antiga conhecida em Perre. É dançada há cerca de 200 anos, e pensa-se que terá sido trazida para esta aldeia por emigrantes que trabalhavam em França ou Inglaterra. De ritmo palaciano, as marcações demonstram a nobreza desta dança, onde predominam as vénias compassadas.

 

Vira-Geral

O tema com que terminam todas as romarias do Alto Minho, em que toda a gente é convidada a participar entrando na alegria das tradições desta região. Mas primeiro, um par demonstra as regras da dança…

 

Ó Solidão
Era com temas como este que as gentes de Perre se deslocavam para os montados e no regresso destes. De ritmo lento, é hoje apresentada por este grupo aquando da saída do palco, simbolizando a partida de regresso a casa.

“Eu vou por ai a baixo, ó solidão, solidão
Como quem não vai a nada, ai, ai, ai, aiom”